RESUMO: A
FORMA NA ARQUITETURA, OSCAR NIEMEYER
A
obra em análise é quase uma autobiografia, nos apresenta detalhes importantes
da formação e surgimento de um grande artista, que ultrapassa os conceitos
gerais da Arquitetura, tornando-se um visionário, um gênio, alguém que sente
sua arte, que vive através e por ela.
Este
pequeno livro mostra um dos papéis de Oscar Niemeyer para a Arquitetura Brasileira,
relatando um pouco de sua infância boêmia vivida no interior do Estado do Rio
de Janeiro, destacando também suas principais obras espalhadas pelo mundo e
refere-se especificamente ao seu tipo de Arquitetura, sobressaindo-se um
assunto polêmico até os dias de hoje “Qual o problema na Forma da Arquitetura”.
Niemeyer
tem sua forma de trabalho muito individual, diz que a Arquitetura “ Tem que ter
beleza, suavidade com suas curvas, encher os olhos de quem passa,...”, pois
bem, foi exatamente isso que introduziu nesta esplêndida fase de sua carreira,
formou-se em 1934 na Escola Nacional de Belas Artes, alguns anos depois destacou-se
na profissão com suas obras internacionais e nacionais como o Pavilhão de Nova
Iorque (1939) e Pampulha (1940) em Belo
Horizonte, em 1945 entrou para o partido comunista, começando daí sua luta
idealista, por uma sociedade mais justa, etc. Sua vida profissional nesta época
ocupou-se de muito trabalho, de certa forma ficando um pouco isolado do que
acontecia fora de seu escritório.
Iniciou
sua carreira com Arquitetura Contemporânea, época do ângulo reto, plantas de
dentro para fora, da máquina de habitar, como disse Le Corbuseier “ Uma casa é
uma máquina de morar”, tempo de imposição de elementos construtivos, atrevendo-me
a dizer que foi tempo de produtividade imobiliária, uma arquitetura sem muitas
liberdades para invenções de funcionalidade, neste período Niemeyer seguia por
uma ideia a embarcar na fantasia e não como a época o induzia, em uma
Arquitetura de técnicas construtivas que modificaria as construções da época,
transformando as fachadas principalmente, telhados, terraços-jardim,etc.
Após
uma fase limitada da Arquitetura Contemporânea, o Arquiteto voltou a praticar
as suas ideias contra o Funcionalismo, seguindo daí uma nova técnica de beleza
e poesia que caminhavam juntas, uma Arquitetura com leveza, sensualidade feito
os corpos das mulheres belas, atraindo-se pelas formas abstratas trazidas em
várias épocas da Arquitetura do passado, enfim, após as obras da Pampulha,
Niemeyer e os que faziam parte de sua equipe, como Lúcio Costa, Gustavo
Campanema e também Le Corbusier, partiram para mais um grande feito da História
da Arquitetura, que foi o Palácio da Cultura, uma equipe muito bem engajada,
com isso surgiram novos prédios como o da Educação e Saúde, e 20 anos depois
Niemeyer e Gustavo Campanema encontraram Benedito Valadares e Juscelino
Kubichek para a Construção de Brasília, onde Niemeyer usou de toda sua inspiração, principalmente para projetar o
Palácio da Alvorada, lembrando que também 20 anos após a Construção de Pampulha
em Belo Horizonte, seu colega Francês Deroche lhe disse “Pampulha foi um grande
entusiasmo da minha geração”.
Podemos
citar também além dessas obras, a Escadaria de Emergência do edifício da COPAN,
um dos maiores edifícios da América Latina, o Memorial da América Latina, no
bairro da Barra Funda, em São Paulo; Novo Museu de Arte, em Curitiba, a
Universidade de Constantine, na Argélia; a famosa Casa de Cultura do Havre, na
França; fachada da Sede da Editora Mandadori, em Milão na Itália; a grande Sede
do Partido Comunista Francês, em París; a sua Casa das Canoas, no Rio de
Janeiro, entre tantas outras belas obras do Arquiteto.
Niemeyer
entre seus muitos conceitos, tem um em especial, que é muito pessoal, dizendo o
seguinte: “o importante para nós em todos os sentidos é a liberdade. Tem que
haver fantasia, uma solução diferente. O que vai ficar da Arquitetura, o que
ficou, não foram as pequenas casas, e sim as Catedrais, as “Voutes”. Beleza é
importante, vendo as Pirâmides, uma coisa sem o menor sentido, mas são tão
bonitas, monumentais, que até esquecemos a razão delas e as admiramos, se
ficarmos preocupados com a função, fica uma merda”. Um conceito direto, mas que
faz muito sentido, realmente beleza é primordial em uma boa Arquitetura, mas
não podemos esquecer da funcionalidade, este tipo de façanha é para poucos do
ramo, mas ainda existe profissionais com esse dom, e o grande Oscar Niemeyer
certamente é um deles, vive hoje na cidade do Rio de Janeiro, tem 102 anos e
ainda esta em atividade, um de seus mais recentes projetos que se tem notícia é
a Universidade de Música e Artes Cênicas Dr. Daisaku
Ikeda, para a cidade de Araraquara, São Paulo, divulgado pela Revista “Nosso
Caminho”.
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